Curadoria | Isabel Sanson Portella
Espaço Cultural Correios
Niterói – RJ
2017
A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Florbela Espanca
A Minha Dor
Ligia Teixeira parte de imagens do cotidiano, colhidas em jornais, revistas e na internet, para levantar questões da sedução, erotismo, relações amorosas e as diversas manifestações do universo feminino na contemporaneidade. Suas obras revelam um olhar social e psicológico sobre as representações de mundo que, através da mídia, a todo momento invadem nossos sentidos. Ao substituir o real pela imagem construída, a artista procura, sob seu viés simbólico, contrapor arte e mídia. Suas telas refletem uma leitura bastante apurada de fetiches, estereótipos e idealizações que modificam e transformam a dor e o sofrimento em busca do prazer e da felicidade. Cicatrizes, coração partido, fetiche, adeus, grito são palavras que se misturam às imagens quando Ligia fala de solidão, dor, decepção. Desconstruindo clichês a artista procura ressignificar as imagens trazendo para o espectador a possibilidade de avaliar a violência diária imposta pelas representações de gênero, tanto femininas quanto masculinas. E a dureza das situações mais extremas se contrapõe à emoção das conclusões mais sofridas: “o triste é que achei que fosse diferente”.
Ligia Teixeira expõe em Teu lado B é meu lado A sua interpretação do humano. O repertório, cheio de simbolismos, fala de desejo e de frustração. De diferenças e identidades. De sonhos e emoções proibidas. Mas principalmente, e de modo bastante peculiar, envolve o espectador com a sedução de suas cores e traços que revelam toda a maturidade de sua poética.
Isabel Sanson Portella
Curadora





